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CASA DE
ORAÇÃO PAULO DE TARSO
O PAI NOSSO
São esses os toques profundos que o Pai Nosso produz nos corações fluídicos ou encarnados, como uma canção de outros tempos, antiga, que, na ternura de suas notas e de sua harmonia, nos faz voltar às oportunidades perdidas.
Criaturas pretensamente racionais analisam e criticam o Pai Nosso, apontando possíveis erros e absurdos no seu texto mais usado e longo, que é o do Evangelho de João. Entidades maldosas costumam soprar a essas criaturas idéias negativas, tentando desviá-las da prática dessa prece. Bastaria esse fato para nos confirmar o valor do Pai Nosso. Os Evangelhos registram formas diferentes da prece de Jesus. A que permaneceu na tradição foi a mais completa, vítima das críticas referidas. Tentemos analisá-la rapidamente em todos os seus termos, desfazendo essas críticas levianas :
PAI Com essa palavra inicial Jesus deu um golpe vibrante na antiga concepção politeísta de Deus e na Idéia bíblica, bem judaica, da posição exclusivista de Deus e na sua condição mitológica de guerreiro, o velho Deus dos Exércitos.
NOSSO Nesta profunda palavra temos a universalização de Deus como Pai de toda a Humanidade. Ele destrói a velha e absurda idéias dos deuses de cada povo, em luta uns com os outros nas guerras dos povos.
QUE ESTAIS NO CÉU Afirmação da presença de Deus no Infinito, acima de tos os divisionismos humanos, pois o Céu não é um lugar determinado, mas a totalidade cósmica. Deus no Céu cobre na sua misericórdia toda Terra e todos os mundos, todas as constelações do Infinito.
SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME Que seja reconhecido o nome de Deus como santo por todos os seres, anjos, Espíritos e homens, que santificarão o nome de Deus em si mesmos, na sua consciência.
ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU Especificação clara do reconhecimento universal do nome de Deus.
VENHA A NÓS O VOSSO REINO Reino de deus, ideal superior de justiça e de Paz perfeita, venha para nós todos.
SEJA FEITA A VOSSA VONTADE, ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU Que os homens, os Espíritos e os anjos cumpram no Céu e na Terra, por toda parte, a vontade suprema de Deus, revelando-se aqui o princípio da comunhão constante e perfeita entre o mundo espiritual e o mundo terreno.
O PÃO NOSSO DE CADA DIA DAI-NOS HOJE O pão simboliza o alimento geral de todos os seres — o espiritual e o material —- que os povos daquele tempo repartiam nas mesas simbólicas das cerimonias religiosas. Jesus mesmo o pão com os discípulos na Ceia da Páscoa, e foi no partir do pão que os discípulos o reconheceram, depois da ressurreição, na estrada de Emaús. Esse alimento essencial é pedido a Deus, que é o Pai, para que não nos falte.
PERDOAI AS NOSSAS OFENSAS COMO AS PERDOAMOS AOS NOSSOS INIMIGOS Os inimigos são os que nos perseguem e caluniam. Alimentos pelo pão espiritual podemos perdoá-los, e só assim no fazemos dignos do perdão de Deus, que diariamente ofendemos em nossa ignorância. è o princípio da fraternidade em Deus e por Deus.
NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO Somos frágeis em nossa ignorância e alimentamos desejos e ambições. A tentação está em nós mesmos, mas Deus pode alimentar-se diariamente o Espírito com os verdadeiros anseios da nossa destinação, para não cairmos no torvelinho dos nossos instintos inferiores.
MAS LIVRAI-NOS DO MAL PARA SEMPRE Súplica a Deus para nos despertar a consciência nas horas difíceis de cada dia.
POIS VOSSO É O REINO, O PODER E A GLÓRIA PARA TODO O SEMPRE O Reino que buscamos é o de Deus, não o dos homens. O poder é de Deus e não dos Espíritos inferiores, a glória só a Deus pertence e só Ele nos pode glorificar. Laudação que só aparece no Evangelho de João, como justificação final de toda a prece.
O Pai Nosso é uma prece sintética, modelo dado por Jesus aos seus discípulos, para que nela encontrem, a síntese final dos seus ensinos. A dinâmica dessa síntese desperta a memória dos homens e das entidades espirituais para a fé em Deus, a esperança em nossa evolução espiritual e a confiança no poder absoluto e na misericórdia d’Aquele que nos arranca do limo da Terra para as ascensões da evolução universal. Há pessoas que discordam da prece do Pai Nosso nas sessões espíritas, alegando que se trata de uma oração católica. Jesus nasceu no Judaísmo, recebeu a bênção da virilidade no Templo, aos 13 anos, como todos os meninos judeus da sua idade, cresceu e viveu como judeu até o momento em que iniciou a sua pregação própria, da qual nasceria o Cristianismo, porque os seus discípulos e apóstolos o chamavam de Cristo. Ele ensinou a prece do Pai Nosso quando andava pregando na Palestina, muito antes que a sua doutrina chegasse a Roma e fosse transformada num vasto sincretismo religioso do qual surgiria a Igreja Romana. O Pai Nosso virou Padre Nosso em Roma e só neste século voltou à designação primitiva, dada pelos cristãos palestinos que não falavam latim. Não há razão nenhuma para se considerar essa prece católica. Ela é uma prece cristã pura, dotada de todas as características do pensamento superior de Jesus, que sempre pairou acima dos divisionismo sectários. Se os Evangelhos apresentam o Pai Nosso em formas diferentes, isso acontece pelo simples fato de que cada evangelista redigiu os seus relatos em lugares e épocas diferentes, usando as lembranças e as anotações que possuíam. João, cujo Evangelho foi o último a ser elaborado, conseguiu reunir maiores elementos para dar a prece completa, segundo era pronunciada pelos cristãos primitivos. Como assinalou Renan, e foi confirmado nos séculos seguintes pelos pesquisadores universitários das origens do Cristianismo, as informações de que os evangelistas dispunham, procediam dos próprios círculos da intimidade do Mestre, guardando a autenticidade das suas expressões.